Conheça a cidade dos insetos, uma alternativa à produção de carne

noticia-fazenda-insetos-01

Os laboratórios do estudo Belatchew Arkitekter (BA) consideram que Estocolmo e muitas outras cidades no mundo, podem ser auto-suficientes em proteínas em poucos anos. Para provar isso, apresentou um inovador projeto, denominado Insect City, ou Cidade de insetos, e composto por uma série de fazendas de insetos, chamadas “Buzz Building”, os Edifícios de Zumbidos.

A companhia (belatchew.com) calcula que no ano de 2050, a Terra estará povoada por nove bilhões de pessoas, e uma pergunta cada vez mais frequente é como se atingirá uma produção sustentável de alimentos para todos, sem representar uma carga adicional para o meio ambiente?

Uma das soluções é encontrar uma alternativa à produção de carne, e uma fonte dessas proteínas são os insetos, indicam os especialistas desta companhia com sede na capital da Suécia.

Segundo a BA, há, aproximadamente, 1.900 espécies comestíveis de insetos e cerca de dois bilhões de pessoas. Mais de um quarto da população mundial já come insetos atualmente.

A produção de proteínas de insetos é muito mais eficiente do que a produção de carne, já que, por exemplo, para produzir um quilo de carne de bovina, é preciso 10 kg de forragem. Com essa mesma quantidade é possível produzir 9 quilos de insetos, segundo a BA.

Em 2018, a capital da Suécia terá 940.700 habitantes (segundo dados do Escritório de Pesquisa e Estatísticas da Cidade de Estocolmo) e, segundo os analistas da BA, “a fim de produzir a proteína proveniente de insetos correspondentes ao consumo de carne dos habitantes da cidade, é necessário cerca de 500 mil metros quadrados (m²) de superfície cultiváveis”.

noticia-fazenda-insetos-02

“Caso sejam instaladas as fazendas de insetos em nove rotundas situadas ao longo de Estocolmo, seria possível conseguir o objetivo de fazer com que esta cidade seja auto-suficiente na produção deste tipo de proteínas”, segundo  um porta-voz de BA.

GRILOS URBANOS “PRONTOS PARA COMER”

Para demonstrar como poderia ser uma produção urbana de insetos, a Belatchew Labs desenvolveu os “Buzz Buildings” para o cultivo de grilos, cada um dos quais disporia em seu interior de 10.350 m² de superfície cultiváveis.

Cada “Buzz Building” consta de um edifício que integra todo o processo da produção de insetos, desde o ovo até que estejam “prontos para comer”.

“Além disso, estes “Edifícios de Zumbidos” serão um refúgio seguro para as abelhas silvestres ameaçadas de extinção, o que, além de assegurar a sobrevivência destes insetos, também transformariam Estocolmo em uma cidade florescente e fértil”, segundo a Belatchew.

A estrutura principal do “Buzz Building” estará formada por um exoesqueleto de aço, um esqueleto externo, inspirado na estrutura e o mundo dos próprios insetos.

“Na fábrica funcionará um restaurante onde serão preparados e vendidos os insetos, para divulgar esta produção de alimentos, em contraste com a produção de carne que se mantém escondida, para convidar as pessoas a que observe e participe, e oferecer uma informação acessível sobre de onde provém este tipo de comida protéica”, segundo a BA.

“Os laboratórios da Belatchew Arkitekter trabalham em projetos experimentais e visionários que pretendem, antes de tudo, investigar e provar novos enfoques e soluções a problemas urbanos e arquitetônicos, e servem também para colocar novas dúvidas e desafios”, destacam os especialistas da empresa

noticia-fazenda-insetos-03

A cidade dos insetos e seus “Buzz Buildings” são propostas de ecossistemas de serviços, “destinada a demonstrar que as cidades podem ser auto-suficientes, algo que é fundamental, principalmente , para a Suécia, que vive a urbanização mais rápida da União Europeia”, assinala Rahel Belatchew Lerdell, diretora-executiva e fundadora da Belatchew Arkitekter.

GRILOS NA DIETA SUECA?

Dentro do “Buzz Building”, uma estrutura em forma de ‘donut’ assimétrico, com duas plantas na ‘área de grilos’ e quatro plantas na ‘área humana’, serão reguladas com a ajuda da irradiação solar, segundo os dados técnicos da BA.

“A temperatura oscilará entre os 28 e os 34 graus centígrados, dependendo se for área destinada à eclosão dos ovos, ao crescimento dos insetos, a sua reprodução, ao cultivo ou a sua manipulação”, assinala Sara Le Normand, porta-voz da Belatchew Arkitekter, que responde de Estocolmo às perguntas da Agência Efe:

Que tipo de cidades poderiam alojar estas fazendas de insetos?
Qualquer cidade que tenha algum tipo de espaços não utilizados, como rotundas, telhados ou estacionamentos, poderia construir uma cidade dos insetos com suas próprias versões de “Buzz Building”.

Como foi aí em Estocolmo?
No nosso caso, era crucial encontrar espaços que não competissem com a casa para a utilização do terreno, já que aqui a demanda de casas novas é urgente e as rotundas são, por enquanto, não estão aptas para ser construídas em casas devido ao barulho e a poluição dos carros.

Estocolmo poderia ter algum dia uma “Insect City” e seus habitantes aceitariam este tipo de comida?
Certamente, a capital da Suécia poderia se transformar em uma cidade dos insetos no futuro! Com este projeto, procuramos aumentar a consciência sobre os temas de sustentabilidade ambiental em relação ao consumo diário de alimentos e, ao mesmo tempo, mostrar uma alternativa à produção alimentícia atual.

Como você acredita que as pessoas reagiriam?
Quando elas puderem ver os “Buzz Building” para saber como são produzidos e cozidos, os insetos se transformarão em uma parte integral de nossa dieta. Provavelmente não substituirá toda a proteína que comemos habitualmente, pelo menos não em um futuro próximo, mas nossos cálculos e este projeto servem para demonstrar que isto é teoricamente possível.

Que tipo de insetos são os mais adequados para a produção de proteínas nas instalações que desenharam?
Utilizamos como exemplo os grilos, já que são os mais populares para comer no mundo todo, fáceis de produzir e muito saborosos. Dado que nos “Buzz Building” se planificam e organizam os diferentes períodos fundamentais da produção dos insetos, este processo poderia se ajustar facilmente para produzir também outras espécies. Uma possibilidade poderiam ser os vermes da farinha, que também são insetos populares para comer e fáceis de produzir em grande escala.

Reprodução: Info

Anúncios